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quarta-feira, 15 de março de 2017

Quaresma: Eis o tempo favorável.


Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Jl 2, 12-13).  Desde o dia 01 de Março, com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, a Igreja plenamente nos convida a vivenciarmos um grande retiro pessoal. Um período de importante e necessária reflexão, elevação das atitudes e pensamentos para Deus, conversão, mudança de vida, reconciliação.


Jejuando quarenta dias e quarenta noites, Jesus consagrou a observância deste tempo favorável. Por este grande gesto de obediência e temor a Deus, o Mestre nos convoca a nos retirarmos ao deserto de nossa própria existência. Superar e corrigir nossas fraquezas. Vencer as tentações. Os meios para isto são santos e  muito eficazes: A oração, o jejum , a caridade.

A oração nos fortalece na fé, nos aproxima positivamente de Deus. Um alimento para a alma. Simples e sincera. Poderosa. Em Isaías 65, 24, demonstra-se o pleno cumprimento do amor do Criador por nós, seus filhos. Ele ouve as nossas súplicas orantes, nosso clamor. "Antes de clamarem, eu responderei; ainda não estarão falando, e eu os ouvirei". 

O jejum nos remete à penitência, à purificação corporal e espiritual. É um gesto de verdadeiro arrependimento pelos pecados cometidos. Uma atitude nobre para quem busca reconciliar-se com o Senhor, necessitando imensamente do seu seu perdão, sua misericórdia. Mateus 6, 16-18, nos descreve o verdadeiro jejum que agrada a Deus. "Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu digo, verdadeiramente, que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê o que está oculto. E seu Pai, que vê o que está oculto, o recompensará".

A caridade nos torna mais humanos, mais irmãos. Nos faz adentrar na proposta de vida tão bem semeada por Jesus, de amor e de serviço ao próximo. Num mundo que vive atualmente a pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, em meio à desigualdades, guerras civis, opressão, refugiados, onde só em alguns países da África mais de 20 milhões de pessoas correm risco de morte por não terem o que comer, não terem as mínimas condições de vida. Os números,  a nível de planeta, são muito maiores, com certeza ainda mais assustadores. Uma realidade triste, desoladora. É preciso sentir na dor do outro a nossa dor. É necessário enxergar no sofrimento do outro o nosso sofrimento. Em Atos dos Apóstolos 2, 44, institui-se a verdadeira unidade, o sentido real da irmandade mútua e fraterna. "Os Cristãos tinham tudo em comum, dividiam seus bens com alegria". Jesus consagrou a importância da partilha quando multiplicou os pães e os peixes com uma multidão faminta e esquecida (Jo 6, 6-15). Jesus consagrou o amor maior ao nosso semelhante quando nos deixou a parábola do bom samaritano como exemplo (Lc 10, 30-37). O reverendíssimo Padre Raimundo Osvaldo, em sábias palavras, já dizia/cantava: "Caridade, caridade, ao irmão servir, salvar."

Amados irmãos e irmãs, que o Senhor nos abençoe e nos guarde, modifique as nossas atitudes errôneas,  nos ajude a vivermos com sabedoria e resignação esta quaresma, respeitando os preceitos e o recolhimento que nos pede este momento, nos aproximando de Sua Graça, para bem celebrarmos a Festa da Páscoa. "Entre nós está, e não o conhecemos. Entre nós está, e nós o desprezamos".